Insanidade ---> Parte 01
Journal Entry: Thu Nov 2, 2006, 1:32 PM
Foi numa tarde fria e chuvosa que, do quinto andar, Jairo observou tudo o que aconteceu na fila daquele banco. Eram exatamente cinco da tarde, e o céu foi coberto por um cinza bem escuro. Mas ele não vinha só. Raios e trovões foram também convidados para testemunhar aquilo que mais tarde despertaria a fúria daquele magricela de dezessete anos de idade.
E tudo começou com um carro preto...
INSANIDADE
Jairo se dirigiu para a janela e, como sempre fazia, passou um bom bocado de seu tempo observando os diversos veículos a soltarem fumaça e as pessoas dessa cidade movimentada. Mas ele não estava só em seu apartamento. Sorigon, seu amigo de infância e Sumire Oni, sua grande amiga (e namorada de Sorigon) o faziam companhia.
O tempo começou a fechar de repente, quando o garoto foi obrigado a sair da varanda... Mas isso não o impediu de observar uma bela cena de afeto, de uma mãe que levou o filho aos braços, de aparentemente cinco anos, para proteger da forte chuva que viria. Mesmo com os pingos iniciais, eles não se submetiam a nenhuma tristeza. Ela continuava a fazer carinhos no garoto, que ria bastante, como se tempestade nenhuma, por mais forte que fosse, os deixariam tristes.
Mas o inesperado estava por vir...
Um opala preto parou em frente ao banco. De lá não saiu ninguém por uns cinco, sete minutos no máximo. As pessoas estranharam e aos poucos começaram a olhar desconfiadas para os lados, em busca de resposta para tamanho mistério. Mas o que aconteceu depois disso foi bem rápido e constrangedor.
Três homens desceram do veículo, todos encapuzados, de preto, com fuzis poderosos na mão. Atiraram para o alto, fazendo com que todos corressem... Todos desapareceram dali, como mágica...
Menos aquela mulher e seu amado filho.
De longe, Jairo gravaria em sua mente uma cena terrível, que estaria prestes a acontecer. Por um momento, pensou:
“Meu Deus, por que ela não corre?”.
Um dos homens encapuzados bateu na mulher. Deu um forte soco em seu rosto, fazendo a cair. Seu guarda-chuva voou, foi levado pelo vento, e Jairo pode ver agora porque ela não havia corrido antes: Ela tinha uma deficiência física, e não possuía a perna direita. Estava usando uma prótese.
Seu filho começava a chorar agora. A chuva vinha forte, intensa, e todos estavam encharcados lá embaixo. Agora não se passava carros, pessoas, absolutamente nada. De repente, o mesmo cara encapuzado de antes segurou o braço da criança e tentou puxar. Puxava bem forte, mas era em vão. A mãe não cedia, por segundo que fosse. Em seguida, veio outro homem, virou seu fuzil do lado oposto e bateu com força na pobre coitada. Mesmo depois dela ter começado a sangrar muito e ficar um pouco tonta, ela não perdeu as forças. Isso deixou o homem irritado, fazendo puxar o braço da criança com mais força, mais força... Até que de repente o choro do menino pareceu abafar o barulho forte da chuva. Parece que aquele homem de caráter irracional havia quebrado o braço do garoto, o que deixou a mãe furiosa. Ela tentou levantar, mas sua prótese havia soltado. Ficou em pé por alguns segundos, depois caiu novamente. Vendo que seria impossível levar apenas a criança, os três homens deixaram suas armas no carro e carregaram a mulher e seu filho para dentro do carro.
Jairo sentiu-se abalado com a cena. O cigarro que ele fumava caiu lentamente de sua mão, perto de um copo de uísque, fazendo o tapete persa de Sumire queimar aos poucos.
Cenas de seu passado trágico chicoteavam com força sua mente, e ele começava a lacrimejar. Mal se movia, e seu coração estava agora batendo forte, muito forte.
“Bem que ela poderia estar aqui comigo. Apesar de tudo, essa cena que eu vejo tem seu lado belo. O amor que aquela mãe tem pelo seu filho... Queria poder sentir um pouco mais disso, mas... Já é tarde demais.”
O cheiro do tapete queimando chegou ao nariz de seus amigos, os fazendo parar de se beijar num sofá ali próximo.
- Ei, o que está acontecendo aqui? – Perguntou Sumire, mas Jairo não respondia.
Aos poucos, ele foi caindo, caindo, caindo. Porém não percebia, pois de repente, o que ouvia, sentia, cheirava, tocava, via... Tudo aquilo desapareceu, dando lugar a uma presença muito forte de alguém ou alguma coisa. Havia apenas um lugar escuro, e uma luz que vinha de suas costas.
Olhou para trás, lentamente, e viu os seus pais, depois de muito tempo.Estavam os dois, ali, como se aquele episódio que ocorreu a nove anos atrás não tivesse acontecido.
O pai de Jairo olhou seramente pra ele, depois sorriu, e fez uma pergunta antes mesmo que ele pudesse demonstrar alguma emoção:
- Filho, o que você faria se aquela cena que você viu agora pouco acontecesse entre você e sua mãe?
Jairo olhou, assustado e então respondeu, gaguejando:
- E... Eu... Eu... Não saberia nem por onde começar a me vingar deles!
Logo depois, sua mãe sorriu docemente e deu um passo a frente.
- Sei que você faria qualquer coisa pelo bem de sua mãe meu querido, mas, parado, simplesmente observando, isso eu sei que você não seria capaz de fazer, jamais!
Passaram alguns segundos até que o pai de Jairo se aproximou e segurou fortemente o braço de sua esposa.
- Agora temos que nos despedir. Volte e faça alguma coisa!
- MAS O QUÊ?
- Olhe no seu livro de magias, você saberá o que fazer!
Antes mesmo que ele pudesse falar mais alguma coisa, seus pais haviam levantado o braço direito e apontaram para o garoto. Uma bola branca de poder formou-se de suas mãos, e um raio de luz iluminou toda aquela escuridão. Durante um tempo, Jairo sentiu-se flutuando, até se dar de conta de que estava em sua cama, rodeado por Sorigon e um outro bruxo poderoso, Henrique, que era amigo dele também.
- Se sente melhor? – Perguntou Sorigon.
- Sim.
Henrique deu um sorriso e acenou para o garoto, que respondeu com um “oi” meio tímido.
- Ele fez uma poção pra você, pra ver se melhorava. Ficamos preocupados, o que aconteceu?
A porta abriu com um forte chute e Sumire entrou, trazendo lanche para todos.
-Moço, estava preocupada, mas... ISSO NÃO QUER DIZER QUE VOCÊ NÃO VAI PAGAR MEU TAPEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETE!!!
Jairo tentou rir daquela situação, mas tinha de se concentrar em outra coisa agora.
“Eu tenho que salvá-los!“
- Pra onde foi aquele carro, lá fora, com aquela mulher e seu filho?
Sorigon se aproximou mais ainda. Sumire sentou-se com a bandeja de sanduíches no colo e Henrique tirou a tampa da garrafinha de poção que havia feito para acalmar o garoto, pois já estava adivinhando o que aconteceria depois que Sorigon falasse que não ajudou para que aquilo não acontecesse.
- Bem, aqueles caras, eles... Levaram os dois e...
- VOCÊ NÃO FEZ NADA PARA IMPEDIR ISSO?
- Jairo, acalme-se. Chamamos a polícia, é o máximo que podemos fazer. Nós, seres que possuímos poderes, não podemos usá-los, estamos sendo caçados, e você sabe muito bem disso...
- EU NÃO VOU FICAR PARADO!!!
Sorigon tentou conter o garoto por alguns minutos, mas sabia que quando ele queria alguma coisa, iria até o fim para consegui-la.
Sem demoras, Jairo ficou de pé, em cima da cama mesmo. Estendeu a mão em direção ao guarda-roupa, que agora tremia. Seu livro estava lá. De repente, uma das portas se abriu e um livro grosso, coberto por uma capa feita de bronze voou na direção da mão do garoto.
Sabendo o que iria acontecer dali em diante, Sumire largou rapidamente o prato com os sanduíches que havia preparado e deixou em cima do criado mudo, ao lado da cama. Sorigon e Henrique levantaram e se afastaram dali o mais rápido que puderam.
Jairo segurava o livro com a mão direita, enquanto a esquerda pairava sobre ele.
“LIVRO SAGRADO DAS MAGIAS CHINSU, REVELE SEUS PODERES AO SEU VERDADEIRO DONO!”
Foi então que o livro se abriu.
Continua...
- Mood:
Joy - Listening to: Set Mix - Madonna R.O.L. Project (by Dj Kjota)
- Eating: Biscoito de Chocolate, hum ...
- Drinking: Iogurte de Morango
Devious Comments
free mp3 ringtones for the :], ringtones on the sidekick 3 :-$, so cool ringtone
^^
adorei o conto!
ele vai ser grandão?!?!?
beijo
suki dayo!
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